Em um dia na cidade de Mairiporã conhecemos uma instituição onde marias fumaça com mais de um século trilham caminhos entre pavões, um caldeirão natural com mais de 50 vias para escalada, uma igreja surreal, colorida, com altas torres e abóbodas ogivais e ainda deu tempo para um almoço em um lugar com engenharia louca e improvisada, parte espaço para lazer, parte comunidade de artesãos. Vem com a gente nesta viagem…

-Vídeo 360 no final da matéria-

Aproveitamos um lindo dia de setembro durante a Festa das Flores e Morangos de Atibaia para conhecer a cidade de Mairiporã com o simpático Edison de Abreu da Cantareira Viagens e ficamos impressionados com a variedade de atrativos que encontramos no município que faz parte da região norte da Grande São Paulo.

Nossa primeira parada foi no Instituto Mairiporã Thomaz Cruz, uma instituição fundada em 1963 que promove desde a educação infantil até o ensino superior, onde visitamos o Museu de Ciências e Artes do Instituto Mairiporã – MCA.

O museu tem uma estrutura única na região e conta com dois setores distintos voltados ao estudo e à exposição de artes e tecnologia industrial. Na primeira parte encontramos os módulos didáticos que são utilizados como método de ensino para criar uma visão completa das artes plásticas para os visitantes e alunos da instituição.

Ao todo são mais de 120 reproduções de pinturas e 22 réplicas de esculturas, tudo regularizado já que os museus do Louvre, Prado, MASP, Washington entre outros, proprietários das obras originais, autorizaram as reproduções.

Neste espaço também encontramos três salas temáticas, uma de Arte Popular e Indígena, uma dedicada as Artes Gráficas e ainda uma de Arte Sacra com imagens do século XVIII, XIX incluindo telas originais do pintor Castellane.

No outro setor, destinado à Arqueologia Industrial, encontramos peças incríveis como o tear Andrighitti de 1930, uma extensa coleção de projetores de cinema que inclui o projetor 35mm com lanterna a Carvão, filmadoras, câmeras e reprodutores de vídeo.

As salas com objetos que contam a história das artes gráficas tem expostos desde pedras de Impressão até o Linotype mecânico de 1942.

A exposição de comunicações é uma das partes do MCA que mais chamam a atenção já que é possível acompanhar a evolução de aparelhos recentes como tele-fax, telégrafos, telefones, máquinas de escrever e as emissoras de rádio. A evolução mais impressionante é a dos computadores, existe até um disco rígido da década de 1950, com a capacidade de 500kb que pesa mais de 20 quilos e levava cerca de 2 dias para ser formatado.

Saindo do museu pudemos conhecer um pouco mais da estrutura do Instituto Mairiporã Thomaz Cruz que traz um lindo conjunto arquitetônico com alguns detalhes curiosos como o barco de alvenaria Cisne Branco.

Além de quadras esportivas, piscinas, pista de atletismo e campo de futebol o instituto trabalha com a conscientização ecológica em um grande orquidário com centenas de espécimes em exposição.

Outro detalhe que adoramos foram os diversos pavões que passeiam livremente em todas as áreas do complexo, super dóceis com os alunos e visitantes.

Ainda no Instituto Mairiporã tivemos a oportunidade de visitar o Museu de Arqueologia Industrial e Tecnologia – MAITEC que desde sua fundação em 2006 se transformou em um centro de atividades de restauração, educação e divertimento em Mairiporã.

A ideia aqui é preservar e revitalizar as descobertas tecnológicas que transformaram o mundo durante o período industrial. Já na chegada encontramos o avião Lockheed Martin AT33A o famoso T-Bird que teve participação crucial na Guerra da Coréia.

Mas a grande atração deste museu são as quatro locomotivas a vapor com datas de fabricação variando entre 1891 e 1937 que foram restauradas e estão em pleno funcionamento. A rainha da exposição é uma réplica em tamanho original da Baronesa, primeira locomotiva a vapor a circular pelo Brasil no ano de 1854.

No local é possível acompanhar uma exposição permanente de veículos antigos, máquinas a vapor, motores a combustão, teares, uma das primeiras turbinas a jato, centenas de ferramentas e diversos outros mecanismos que contam como se deu o avanço tecnológico industrial.

Saímos do Instituto Mairiporã com alma lavada e com muitas novas histórias para contar e fomos direto conhecer a Pedreira do Dib e seus paredões rochosos compostos por uma área com cerca de 44.000 m² a 1.140 metros de altitude. Esta é uma das melhores alternativas de São Paulo para a prática de esportes radicais como rapel e tirolesa, utilizada inclusive para treinamentos de salvamento e resgate.

A esta altura a fome já estava batendo e nosso guia Edison indicou o Restaurante As Véia que fica no fascinante conjunto arquitetônico chamado de O Velhão na Estrada de Santa Inês, cercada pela verde mata da Serra da Cantareira.

A arquitetura do lugar lembra uma cidade cenográfica com vários bares, restaurantes e lojas de antiguidades, o cheiro de mato tempera o ambiente e o barulho dos pássaros nos fez sentir no campo.

O impressionante casarão que abriga o restaurante é dividido em 8 ambientes decorados de maneira única e original, com muitos “tesouros” escondidos em cada cantinho, incluindo o teto e as paredes. Muitas flores e componentes rurais se entrelaçam nesta atmosfera aconchegante.

As Véia é especializado em cozinha mineira no fogão à lenha. Além dos pratos expostos no fogão tem uma mesa de antepastos, uma de salada, uma de massas, e o churrasco. O preço é único de segunda à quinta, R$ 33,00 por pessoa, sexta-feira R$ 36,00, aos sábados R$ 54,00 e domingo e feriados R$ 58,00 por pessoa. De segunda à sexta a sobremesa está inclusa, as bebidas sempre são pagas à parte. (Valores em 01/2017)

A comida é muito bem preparada, nos deliciamos com feijão tropeiro, torresmo e abóbora cozida. Clássicos como frango atropelado, tutu mineiro, leitão à pururuca também estão disponíveis. Como são muitos ambientes em um lugar imenso, é comum e divertido vermos pessoas andando por todos os salões com pratos na mão.

O lugar é tão interessante que deu vontade de conhecer cada cantinho naquele mesmo instante, mas como tínhamos somente um dia em Mairiporã não deu tempo de visitar todas as lojinhas e espaços. Nossa dica é: Se organize para chegar pela manhã, aproveitar o almoço que é servido das 12:00 às 16:30 e fique até a hora do fechamento, 17:30. Aos sábados, domingos e feriados é servido também o Café da Manhã das 9:00 às 11:30.

Entre as diversas esculturas que encontramos no Velhão gostamos muito da réplica do Cristo Redentor que tem aos pés uma caixinha onde é possível enviar um cartão postal do restaurante para qualquer endereço.

No caixa são exibidos com orgulho os diversos prêmios ganhos pelo restaurante ao longo dos anos. Uma dica muito importante: As Véia aceita apenas dinheiro ou cheque, nenhum tipo de cartão de crédito ou débito pode ser utilizado para o pagamento. (verificado em 01/2017)

Nosso próximo destino foi também um dos lugares mais incríveis que nós já tivemos o prazer de conhecer, faltam adjetivos para definir a Basílica Nossa Senhora do Rosário de Fátima da ordem dos Arautos do Evangelho.

O conjunto arquitetônico de incrível beleza cênica fica em meio ao verde da mata atlântica. Apesar de Mairiporã orgulhar-se da igreja, ela fica nos limites do município, pertencendo a Caieiras. O acesso é em uma travessa da Avenida Santa Inês, tem uma grande placa indicando onde entrar (fica a poucos minutos do restaurante As Véia)

Na entrada existe uma portaria com seguranças que anotam o RG dos visitantes e cordialmente indicam o caminho para o estacionamento, que fica logo depois de uma subida ingrime.

Construída no estilo gótico as torres da basílica alcançam uma altura de 60 metros e guardam um carrilhão de sete sinos. O castelo (como é chamado pelos locais) é visto de longe na estrada. O complexo foi desenhado pelo arquiteto espanhol Baltazar González Fernández a pedido de Mons. João Scognamiglio Clá Dias e contempla ainda os prédios do Seminário da Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli, da Casa de Formação dos Arautos do Evangelho, além de um auditório e área de vivência com refeitório.

Fomos recepcionados por um estudante da Ordem, super atencioso, que nos explicou muita coisa sobre os Arautos do Evangelho, os rituais católicos e todos os dados que estamos te contando.

Nos Arautos do Evangelho as referências aos cavaleiros medievais estão em vários detalhes na indumentária dos jovens celibatários de cabeça raspada que dedicam-se integralmente ao apostolado, composta de um longo hábito marrom que traz estampada uma Cruz de Santiago estilizada vermelha e branca (com pontas que lembram flores de lis), as botas de cano alto são pretas e brilhantes, uma corrente de ferro orna sua cintura como lembrança contínua de sua condição de servir à Virgem Maria.

Entrar na Basílica Nossa Senhora do Rosário de Fátima é se teletransportar para outro mundo, o exterior de estilo gótico contrasta completamente com o interior de cores fortes e vivas, predominando o azul, vermelho, dourado e verde, tudo muito colorido e alegre. Emocionante.

Os belos afrescos foram feitos artesanalmente. Cenas bíblicas ao estilo de Fra Angélico (famoso pintor medieval) pintadas nas paredes, inúmeras flores de lis douradas por toda parte superior simulando um céu estrelado e vitrais maravilhosos que criam uma atmosfera única com o sol refletindo e dando vida a todo ambiente. Precisaríamos de algumas horas para contemplar todos os detalhes.

Fomos conduzidos para as diversas salas que compõe a basílica, inclusive a pequena e reservada sala de orações.

A manutenção é rigorosa para manter tudo em perfeitas condições, nos fazendo lembrar de João Paulo II em sua Carta aos Artistas de 4 de abril de 1999, onde escreveu:

“O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero.
A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração”.

Nosso tour por Mairiporã com o guia Edison de Abreu da Cantareira Viagens foi uma surpresa incrível, cada descoberta ficará em nossa memória para sempre. Depois disto o desejo por aprender mais sobre Atibaia e Região só vem crescendo, com certeza faremos novas incursões pelas diversas cidades que compõem este circuito.

Não perca todas nossas matérias sobre Atibaia e Região neste link: comerdormirviajar.com/tag/atibaia-e-regiao

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Serviço:

Cantareira Viagens
Rua Alvares de Azevedo, 29
Jardim Oliveira
Mairiporã – SP
+55 11 4604 3775 / +55 11 99773 2721
cantareiraviagens.com.br

Instituto Mairiporã Thomaz Cruz
Entrada gratuita. Visitação: 2ª a 6ª das 8h às 16h – É necessário agendamento prévio através da Central de Atendimento: +55 11 4419 4000 Ramal 132
Av. Dr. Thomaz Rodrigues da Cruz, 1113
Mairiporã – SP
www.im.br

Pedreira do Dib
Acesso gratuito
Link para mapa
Mairiporã – SP

Restaurante As Véia – O Velhão
Estrada Santa Ines, 3000
Jardim Samambaia
Mairiporã – SP
+55 11 4485 1330
velhao.com.br

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15 COMENTÁRIOS

  1. Gosto muito de viajar, mas percebo que necessito me aprimorar e as dicas que encontro no Comer. Dormir. Viajar. são muito úteis! Valeu, obrigada.

  2. Nossa, como estes blog me encanta… Tenho 2 filhas, mas assim que elas crescerem vou cair neste mundão afora

  3. Olá! Para falar a verdade só estava esperando vcs irem lá,para saber se valia a pena…e pelo que vi é ótimo! obrigada pela dica!:o)

  4. Olá! Para falar a verdade só estava esperando vcs irem lá,para saber se valia a pena…e pelo que vi é ótimo! obrigada pela dica!:o)

  5. Adorei seu site é de longe o mais informativo dentre os os que já vi em português…

  6. oi, gosto do seu trabalho, estou programando minha viagem para daqui uns dias, esta matéria me ajudou :D.

  7. Gosto muito de viajar, mas percebo que necessito me aprimorar e as dicas que encontro no Comer. Dormir. Viajar. são muito úteis! Valeu, obrigada.

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